Desmatamento na Amazônia registra menor nível de alertas da década, aponta Inpe

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Redação O JORNAL

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Dados mostram queda de 36% nos alertas no bioma e redução do desmatamento em todos os biomas brasileiros –  Foto: Florence GOISNARD / AFP/05/10/2023

Os alertas de desmatamento na Amazônia registraram, neste ano, o menor volume da série histórica do sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área sob alerta caiu 36%, chegando a aproximadamente 2.870 quilômetros quadrados.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (7), durante uma cerimônia em São José dos Campos (SP), que marcou os 65 anos do Inpe e contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outras autoridades.

O resultado é baseado no Deter, sistema que identifica, em tempo quase real, alterações na cobertura vegetal e emite alertas para orientar ações de fiscalização. O período analisado é diferente daquele utilizado pelo Prodes, sistema responsável por consolidar as taxas anuais de desmatamento por meio de imagens de satélite.

Pará concentra maior área sob alerta

Apesar da redução nacional, alguns estados ainda concentram grande parte dos alertas registrados na Amazônia. O Pará liderou o levantamento, com 987,27 km², seguido por Mato Grosso, com 834,41 km², e Amazonas, com 433,9 km².

Também foram registrados alertas em Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²).

Pará e Mato Grosso apresentaram reduções de 25,5% e 49%, respectivamente. No Amazonas, a queda chegou a 46,7%; no Acre, a 35,3%; e em Rondônia, a 41,2%. Roraima foi a exceção entre os estados destacados, com aumento de 32,5% nos alertas.

Desmatamento diminui em todos os biomas

Os dados consolidados pelo Prodes também apontam uma redução do desmatamento em todos os biomas brasileiros no período de agosto de 2024 a julho de 2025. A queda acumulada foi de 20%.

O maior recuo proporcional ocorreu no Pantanal, onde o desmatamento caiu 65%, para 291 km². No Pampa, a redução foi de 41%, com 305 km² desmatados — o menor índice do bioma desde 2016.

O Cerrado, por sua vez, continua apresentando a maior área total de desmatamento entre os biomas brasileiros. Foram 7.235 km², apesar de uma redução de 11,5% em relação ao período anterior.

Segundo o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a maior concentração do desmatamento no Cerrado está na região conhecida como Matopiba, formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Números do Prodes por bioma

Cerrado: 7.235 km² — redução de 11,5%;

Amazônia: 5.111 km² — redução de 15,8%;

Caatinga: 2.289 km² — redução de 34%;

Mata Atlântica: 402 km² — redução de 15%;

Pampa: 305 km² — redução de 41%;

Pantanal: 291 km² — redução de 65%.

Queda também é observada no acumulado da Amazônia

Considerando os quatro anos do atual mandato do presidente Lula, a área amazônica sob alerta de desmatamento totalizou 19.642 km², segundo os dados apresentados. O volume representa uma redução de 41% em comparação com o período de 2019 a 2022, quando foram registrados cerca de 33,4 mil km² sob alerta.

Para Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, os números indicam que a redução da devastação torna possível avançar em direção à meta de desmatamento zero. Ele também ressaltou que a queda não significa que os riscos à floresta tenham sido eliminados.

Durante o evento, Lula relacionou os resultados às críticas feitas pelos Estados Unidos em relação à política ambiental brasileira e afirmou que o país assumiu a meta de alcançar o desmatamento zero até 2030.

Os dados divulgados pelo Inpe reforçam, portanto, um cenário de redução dos alertas e das taxas consolidadas de desmatamento, embora a pressão sobre os biomas brasileiros permaneça elevada, especialmente no Cerrado e em áreas da Amazônia.

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