Vitória sediou o Roadshow Ambição Circular, encontro que reuniu indústria, governo e especialistas para discutir inovação, competitividade e o reaproveitamento de resíduos na economia circular. Foto: Divulgação.
O Espírito Santo passou a ocupar posição de destaque na construção da agenda nacional da economia circular, modelo que busca reduzir desperdícios e transformar resíduos em novos produtos e matérias-primas. O Estado foi apontado como referência na Região Sudeste durante o Roadshow Ambição Circular, realizado em Vitória, que reuniu representantes da indústria, do poder público, da academia e especialistas nacionais e internacionais.
O encontro integra uma série de debates promovidos pelo Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec), responsável pela elaboração de um mapa nacional de ações para acelerar a economia circular na indústria brasileira. O documento, previsto para ser concluído até o fim de 2026, reunirá iniciativas desenvolvidas nas cinco regiões do país.
A discussão ocorre em um momento em que as exigências ambientais ganham cada vez mais peso no mercado internacional. No Brasil, a Estratégia Nacional de Economia Circular, lançada em 2024, e o Plano Nacional de Economia Circular, publicado em 2025, estabeleceram diretrizes para ampliar a reutilização de materiais e resíduos na indústria. Já na União Europeia, mecanismos como o Passaporte Digital de Produtos e o Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) ampliam as exigências para empresas exportadoras.
Nesse cenário, a economia circular deixa de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um diferencial competitivo, capaz de aumentar a eficiência produtiva, reduzir custos e ampliar o acesso a mercados internacionais.
“O mapa nacional que o Ibec vai entregar até o fim de 2026 é uma fotografia do que está sendo construído no país, mas o Espírito Santo já começou a desenvolver seus próprios caminhos. Enquanto o Brasil desenha essa rota, aqui a economia circular já se transforma em investimento. Um exemplo é o projeto da Usina de Biometano, desenvolvido pela ES Gás em parceria com a Marca Ambiental, que transforma resíduos em energia e faz da economia circular uma realidade em infraestrutura”, destaca a presidente do Instituto Marca Ambiental, Mirela Souto.
Durante o evento, foram apresentados exemplos de iniciativas que já colocam o Espírito Santo entre os estados mais avançados no tema. Um dos destaques foi a ArcelorMittal Tubarão, que gera aproximadamente cinco milhões de toneladas de coprodutos por ano e reaproveita mais de 70 tipos de materiais em diferentes cadeias produtivas. Atualmente, cerca de 22% do aço produzido na unidade utiliza sucata como matéria-prima.
O Governo do Estado também apresentou políticas públicas voltadas ao fortalecimento da economia circular. Entre elas estão os editais do Núcleo de Inovação em Sustentabilidade Ambiental (NISA), que já apoiam 27 iniciativas de impacto socioambiental e lançarão um novo edital de R$ 10 milhões para financiar outros 40 projetos. Também foram destacados o Sistema Estadual de Logística Reversa (Sisrev), que reúne cerca de 22 mil empresas cadastradas, o Selo de Circularidade da Indústria Moveleira e ações de fortalecimento das associações de catadores da Grande Vitória.

Mirela Souto é presidente do Instituto Marca. Foto: Divulgação
Para Mirela Souto, o ambiente construído no Espírito Santo demonstra que o Estado reúne condições para liderar a transição para um modelo econômico mais sustentável.
“O que vimos na Findes confirma que o Espírito Santo não está começando essa conversa. A indústria capixaba já transforma resíduos em valor, o poder público criou instrumentos de incentivo e agora estamos conectados a uma rede nacional. Não falamos apenas de sustentabilidade, mas também de competitividade, inovação e geração de emprego e riqueza”, afirmou.
A consolidação dessas iniciativas fortalece a posição do Espírito Santo como um dos protagonistas da economia circular no Brasil e amplia as oportunidades para que empresas capixabas se adaptem às novas exigências ambientais do mercado global, agregando valor aos seus produtos e impulsionando o desenvolvimento sustentável.










