Brasil e Coreia do Sul fortalecem parceria estratégica com novos acordos

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Lula ao lado de Lee Jae Myung, presidente da Coreia do Sul

O Brasil e a Coreia do Sul assinaram cinco memorandos de entendimento nesta segunda-feira (27), durante a visita de Estado do presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, ao país. Os documentos ampliam a cooperação bilateral em setores considerados estratégicos pelos dois governos.

Lee foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cerimônia oficial no Palácio da Alvorada, em Brasília. A agenda tratou do aprofundamento da parceria entre os países, com discussões sobre comércio, inovação, educação, energia, defesa e tecnologia.

Os dois governos também abordaram medidas para ampliar investimentos e avançar nas negociações comerciais entre o Mercosul e a Coreia do Sul. Como parte desse processo, será criado um Grupo de Trabalho formado por representantes brasileiros e sul-coreanos para identificar sensibilidades de ambas as partes e buscar evitar obstáculos a um eventual acordo.

A visita de Lee Jae-Myung ocorre cinco meses após a viagem de Estado do presidente brasileiro a Seul, realizada em 23 de fevereiro. Na ocasião, Brasil e Coreia do Sul elevaram suas relações ao nível de Parceria Estratégica e adotaram o Plano de Ação 2026-2029, que estabelece prioridades para a agenda bilateral.

Em 2025, a Coreia do Sul ocupou a posição de quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e foi o quinto principal destino das exportações brasileiras para a região. O fluxo comercial entre os dois países chegou a US$ 10,8 bilhões. O país asiático também figura como o 19º maior investidor estrangeiro no Brasil.

As relações entre os países também envolvem vínculos sociais. O Brasil abriga a maior comunidade coreana da América Latina.

Cinco áreas de cooperação

Os cinco memorandos assinados durante a visita abrangem diferentes setores. Na área espacial, o entendimento prevê cooperação para exploração e desenvolvimento de atividades espaciais pacíficas.

No esporte, o acordo contempla intercâmbios entre atletas e especialistas e o compartilhamento de experiências relacionadas a políticas públicas.

Na educação, o objetivo é aproximar instituições de ensino brasileiras e sul-coreanas e promover a troca de experiências em políticas educacionais.

Outro memorando estabelece cooperação no setor de energia, especialmente em biocombustíveis e transição energética. Na área de tecnologia industrial, os dois países pretendem desenvolver ações conjuntas em pesquisa, desenvolvimento e inovação aplicados à indústria.

Minerais críticos entram na parceria

A agenda bilateral também avançou na cooperação em minerais críticos. Lee Jae-Myung anunciou um entendimento com Lula para ampliar a atuação conjunta ao longo da cadeia de suprimentos desses insumos.

“Hoje, o presidente Lula e eu concordamos em expandir a nossa cooperação em todo o ciclo de vida dos minerais críticos, na cadeia de suprimentos desses minerais”, declarou Lee Jae-Myung.

Os minerais críticos são utilizados em setores como baterias, semicondutores, veículos elétricos, equipamentos de energia limpa e outras tecnologias avançadas.

Lula também defendeu uma aproximação maior entre universidades e empresas brasileiras e sul-coreanas em setores tecnológicos.

“Queremos aproximar nossas universidades e empresas em áreas importantes para a economia do futuro, como semicondutores, economia digital, inteligência artificial e indústria aeroespacial”, disse.

Mercosul entra na agenda

Em declaração à imprensa após a reunião, Lee Jae-Myung afirmou que os resultados do encontro ampliam a parceria estratégica entre Brasil e Coreia do Sul.

O presidente sul-coreano também manifestou interesse no avanço das negociações entre seu país e o Mercosul e na expansão da atuação conjunta em temas internacionais.

Alckmin coordenará grupo sobre Mercosul

O Grupo de Trabalho criado para tratar das negociações entre Mercosul e Coreia do Sul será coordenado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

“Decidimos criar um grupo de trabalho para identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada de negociações de um acordo entre Mercosul e a Coreia”, disse Lula.

Lee Jae-Myung defendeu que as negociações avancem diante das incertezas no comércio internacional.

“Num momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o nosso acordo comercial entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora”, declarou o presidente sul-coreano.

Missão sanitária pode abrir mercado para carne brasileira

Outro resultado da reunião envolve as negociações para ampliar as exportações brasileiras de carne ao mercado sul-coreano. Após 17 anos de tratativas, a Coreia do Sul assumiu o compromisso de enviar uma missão sanitária ao Brasil no próximo mês.

“Em 2025, o Brasil exportou quase 2,5 bilhões de dólares em produtos agropecuários para a Coreia. Após 17 anos de negociações, temos agora o compromisso concreto de realização de missão sanitária ao Brasil, no próximo mês, passo decisivo para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano”, disse Lula.

Defesa e setor espacial

A cooperação bilateral também inclui projetos nas áreas de defesa e espaço. Lula citou a parceria relacionada à aeronave KC-390, da Embraer, nas Forças Armadas sul-coreanas, além de iniciativas com a empresa Innospace no Centro Espacial de Alcântara.

Segundo o presidente, um novo lançamento de foguete poderá ocorrer no local em setembro.

“Possivelmente em setembro teremos, na Base de Alcântara, um novo lançamento de foguete”, afirmou Lula, acrescentando que “faz questão” de acompanhar o evento presencialmente.

Comércio bilateral

Lula avaliou que o intercâmbio comercial ainda tem espaço para crescer, apesar de ter alcançado aproximadamente US$ 11 bilhões em 2025.

“Apesar do ressurgimento do unilateralismo e do protecionismo em todo o mundo, o comércio bilateral entre Coreia e Brasil cresce de forma consistente, alcançando cerca de 11 bilhões de dólares em 2025. É pouco, diante do tamanho da Coreia e do tamanho do Brasil”, afirmou.

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