Um fato que até pode parecer pouco comum no Brasil, mas que muitas vezes acontece mesmo sem ser percebido, foi registrado no último sábado, dia 20, no Espírito Santo, mais especificamente no litoral Sul do Estado, quando foi registrado um abalo sísmico de magnitude 2.1, próximo a cidade de Piúma.
Considerado de baixa intensidade e sem representar maiores riscos à população, o evento sísmico aconteceu por volta das 14h12 e foi registrado pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e analisado pelo Centro de Sismologia da USP. Mesmo raro, o Espírito Santo já teve um episódio recente desse fenômeno, com o último tremor tendo sido registrado em julho de 2021, em Pancas, atingindo magnitude de 1.4
Luiza Bricalli, doutora em Geologia e professora responsável pelo Laboratório de Neotectônica e Sismologia (Lanesi) da UFES, tremores dessa magnitude são classificados como fracos e liberam pouca energia.
No Espírito Santo, o monitoramento de terremotos começou a se tornar mais eficiente a partir da década de 2000, com a expansão da RSBR e a instalação de estações locais. No entanto, registros históricos de abalos sísmicos existem desde o século XVIII. No total, são mais de 40 eventos listados no estado, no período.
Segundo Bricalli, os registros sísmicos do Espírito Santo são marcados pela predominância de eventos de baixa magnitude, mas alertou que novos eventos como estes podem voltar a acontecer. Segundo a especialista, não está descartada a possibilidade de novos registros nos próximos dias ou semanas. Apesar disso, ela reforça que o Espírito Santo está longe das regiões do planeta onde normalmente ocorrem terremotos de grande magnitude.
“Podem ocorrer tremores secundários após o evento principal. Aqui dificilmente teremos abalos sísmicos de alta magnitude. No Brasil, a média dos registros é de cerca de magnitude 3”, destacou.
Segundo a professora, a preocupação costuma aumentar quando os tremores ultrapassam magnitude 4 ou 5, ou quando ocorrem vários eventos em sequência em um curto período.
Bricalli explicou que os abalos podem estar relacionados à movimentação de falhas geológicas antigas existentes na região ou à compressão sofrida pela Placa Sul-Americana.
O mais intenso foi em 1955, com magnitude de 6.3 e epicentro a 300 km da costa capixaba, considerado o segundo maior terremoto da história do Brasil.
Embora não tenha causado mortes, o tremor provocou rachaduras em paredes, queda de telhados e pânico entre a população, segundo relatado nos arquivos de pesquisa.

















