Santa Teresa, no Espírito Santo, e Colônia Nova Itália, em São João Batista, Santa Catarina — Foto: Reprodução
Uma matéria do Portal G1, assinada pelas repórteres Julia Camim, Ana Elisa Bassi, do G1 ES, traz à tona uma polêmica que tomou os corredores e plenário da Câmara Federal, tratando da disputa entre duas cidades brasileiras que travam pelo título nacional: o de primeira cidade colonizada por imigrantes italianos do país.
De um lado está Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, que defende o reconhecimento de município Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil. De outro está São João Batista, em Santa Catarina, que luta para ser considerada a Capital Nacional do mesmo movimento.
A discussão não é nova, mas voltou à tona neste mês com a discussão do Projeto de Lei 9.811/2018, que visa beneficiar a cidade catarinense, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), na Câmara dos Deputados.
A proposta busca revogar a Lei nº 13.617 de 2018, que reconheceu o município capixaba como o berço da imigração italiana, e foi apresentada pelo deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) logo após a concessão do título a Santa Teresa, a fim de “corrigir um erro histórico”.
Segundo o parlamentar catarinense, há obras clássicas que atestam a chegada dos primeiros imigrantes italianos no estado da região Sul.
Além disso, ele alega que a Província de Trento, na Itália, por meio de representantes no Brasil, manifestou-se contra a concessão do título ao município do Espírito Santo.
Com o avanço do projeto de lei na Câmara dos Deputados, parlamentares capixabas se manifestaram contrários à proposta, assim como o próprio prefeito de Santa Teresa, Kleber Medice (PSDB).
O gestor municipal foi a Brasília no final de março para “reforçar a defesa da verdade histórica e da memória capixaba diante da proposta legislativa oriunda de Santa Catarina”.
Ao lado dos deputados Gilson Daniel (Podemos) e Helder Salomão (PT), o prefeito entregou documentos ao presidente da CCJC, deputado Leur Lomanto Júnior (União), que, segundo ele, comprovam que o título de cidade pioneira da colonização italiana no país pertence a Santa Teresa.
Para a proposta de Santa Catarina avançar, o projeto depende de votação na Câmara, mas ainda não há nenhuma data definida para que isso seja feito.

Desfile durante a carretela del vin, na festa que comemora a imigração italiana em Santa Teresa — Foto: Heriklis Douglas/TV Gazeta
Importante ressaltar que esse título é um reconhecimento simbólico, e não confira vantagens econômicas, como repasses de verbas, apesar de as cidades poderem se promover e conseguir movimentar, por exemplo, o turismo nas regiões.
Infográfico – Entenda disputa entre ES e SC por reconhecimento da primeira cidade de colonização italiana do Brasil — Foto: Arte/g1
Datas e documentos
O trecho de uma obra considerada clássica da historiografia brasileira citado no projeto catarinense demonstra que os italianos chegaram ao estado em 1836. O livro utilizado é “Italianos no Brasil ‘Andiamo in Merica'”, de Franco Cenni.
“O estado de Santa Catarina foi pioneiro em fato de colonização italiana. Já em 1836, o suíço Enrico Shutel, agente consular do rei da Sardenha, fazia chegar ao Brasil 180 imigrantes sardos”, afirmou o autor nascido em Milão que morou em São Paulo.
Já a lei que entende Santa Teresa como a primeira cidade formada por imigrantes italianos do Brasil é baseada em um marco histórico de 1874. Naquele ano, chegou ao Espírito Santo o navio “La Sofia”, com 388 italianos, o que daria início “à epopeia emigratória dos italianos para o Brasil”.
Segundo o sociólogo italiano Renzo M. Grosselli, foi a posterior chegada do navio “Rivadávia”, que aportou em 31 de maio de 1875, com 150 famílias italianas, encaminhadas para Santa Leopoldina, também no Espírito Santo, que resultou na fundação de Santa Teresa, em junho de 1875.


