O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, participou do Brazil Conference, em Boston, nos Estados Unidos, neste domingo (10). Barroso considera que a democracia constitucional tem sido alvo de ataques em todo o planeta, desferidos pelo "populismo autoritário" – mas que, ainda assim, as instituições têm conseguido resistir.
"Há que ter a percepção de que o mundo vive uma conjuntura, muitas vezes, desfavorável à própria democracia. Acho que no Brasil, as instituições no Brasil têm sido capazes de resistir – não sem sequelas, mas têm sido capazes. O Congresso continua funcionando, o Judiciário continua funcionando, a imprensa é muito atacada, mas continua a ser uma imprensa livre", declarou.
O ministro participou de um painel com o tema "Instigando a defesa à democracia", ao lado da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e do diretor regional da Ford Foundation, Atila Roque.
“Saíram à luz do dia os homofóbicos, os misóginos, os racistas. É preciso enfrentá-los, mas sem a sensação de que nós perdemos”, disse o magistrado. ”A causa das mulheres, a causa do meio ambiente, a causa da igualdade racial, a causa da proteção indígenas não são causas progressistas, essas são causas da humanidade”, completou.
Sem citar nominalmente Jair Bolsonaro, Barroso apontou ainda os ataques feitos às urnas eletrônicas e a ele próprio.
“No Brasil, houve e continua a haver ataques infundados à honestidade, à integridade do processo eleitoral, em que nunca se verificou fraude”, afirmou. “E neste momento se está articulando, novamente, os mesmos ataques. Isso não é normal. A mentira não é uma outra versão da história. A mentira é só uma mentira”, acrescentou.